Agradecimento da Equipe do Site Al Fero

Em nome da Equipe do Site www.alfero.com.br – agradecemos os mais de 10.000 acessos. Um trabalho voluntário e sem fins lucrativos, que está fortalecendo os laços da história neotrentina, através de fotografias e ajuda da comunidade! Aproveito para solicitar a colaboração de todos na disponibilidade de imagens para atualizar o Site. Contato: alferont@gmail.com – Nosso muito obrigado! Cindy Maffezoli, Misael Dalbosco e Jonas Cadorin.

Primeiro Registro Capela Santo Antonin – Ponta Fina Norte

Capela Santo Antonim

Foto: Lurdes Zandonai da Silva e Dionei da Silva.

No verso desta foto encontramos a seguinte anotação “Vilmar Mazzera – Rua Nereu Ramos”.

Acreditamos que a foto acima seja um dos primeiros registros da Capela do Santo Antonin, localizada na Rua Florianópolis, Bairro Ponta Fina Norte, Nova Trento – SC.

História da Comunidade de “Santo Antonin” – Bairro Ponta Fina Norte

A fonte da pesquisa foi exclusivamente o relato de algumas pessoas mais vividas da comunidade, entre elas: Dona Cecilia Speranzini, Dona Idalina Zandonai Speranzini, Senhor Ivo Piva, entre outras.

Pesquisa de Bento Marchiori – Novembro 2011 – Nova Trento – SC

“Não se sabe bem ao certo o ano que se instalou os fundadores desta comunidade. Calcula-se que por volta do ano de 1900, por aí é que alguns imigrantes se aventuraram a explorar esta área.

As primeiras famílias de que se tem informação foram as de sobrenome: Darós, Dadam, Maffezoli, Piva, Tomasoni e Zandonai, todos de origem Italiana, filhos de imigrantes, os quais sobreviviam da agricultura.

No ano de 1920 o senhor Domingos Zandonai, casado com a dona Lucieta Trainotti, já tinha conseguido formar uma bela família de sete filhos, e com a força das mãos e enxada todos trabalhavam para o sustento.

Certo dia, seu Domingos e sua filha Maria, de 14 anos, que o acompanhava, estavam capinando milho perto do Rio de Braço, ao entardecer ele pede a filha que o acompanhe, pois ele atravessaria o rio para colher aboboras. Maria já era mocinha, e não poderia entrar na água fria, pois estava muito cansada e o suor escorria pelo seu rosto, porém, obediente ela acompanhou o pai, atravessando junto o rio. Com sua ajuda conseguiram levar algumas belas aboboras para casa.

Naquela noite Maria não conseguiu dormir direito, teve uma sequencia de pesadelos e ao acordar a cabeça doía tanto que mal podia abrir os olhos. A Mãe Dona Lucieta, fez para ela todos os remédios de ervas que conhecia, mas a dor de cabeça não aliviava.

Médicos e hospitais na época não existiam na região, o mais próximo era em Blumenau. O transporte era somente a cavalo e carroça.

Seu Domingos com muita fé em Deus pediu para a esposa providenciar algum alimento e roupas para viagem. Tomou a filha pela mão e a pé caminharam até Brusque, onde na casa de um conhecido descansaram, para depois seguirem caminho até Blumenau. De Brusque até Blumenau conseguiram um carro de mola (ver o que é carro de mola).

Chegando ao hospital de Blumenau, as irmãs acolheram pai e filha e logo ficaram a par da situação, informando que não tinha médico no momento, mas que estaria para chegar um no dia seguinte. As irmãs acomodaram seu Domingos e a filha, dando a ela alguns medicamentos. No dia seguinte não se tem data certa, após ter chegado e descansado o suficiente, o médico, que também não se tem registro do nome, consultou Maria.

Percebendo a gravidade do caso, fez logo uma cirurgia na cabeça da menina Maria, retirando um coagulo de sangue.

Depois da cirurgia o doutor e as irmãs chamaram o seu Domingos e o colocaram a par da situação, informando que ela estava muito mal e que não entendiam como ela teria resistido até este momento.

Seu Domingos ficou muito abalado e sem saber o que fazer. O único jeito seria se recolher na capela do hospital e rezar. Para complicar ainda mais a situação, durante a noite o médico que havia feito a cirurgia e cuidava de Maria, faleceu de morte súbita.

Quando às irmãzinhas deram a noticia da morte do doutor, disseram também: Agora seu Domingos, só um milagre pode salvar sua filha, todos nós temos que rezar muito.

Foi neste momento que seu Domingos caiu de joelhos e como sempre fora muito devoto de Santo Antonio, fez a ele o pedido de cura para sua filha, prometendo que se atendido fosse, construiria uma capela de agradecimento em sua honra.

Maria muito lentamente foi se recuperando a cada dia. Após oito meses sob os cuidados das irmãs, ela voltou para casa curada. Somente a cicatriz a acompanhou por toda vida.

Seu Domingos não esqueceu a promessa que havia feito ao seu Santo Antonio, já havia encontrado o local para construir a capela. Morava no local o Senhor Antonio Maffezoli, que possuía um terreno na rua Florianópolis e ficou muito feliz em poder doar um pedaço de terra.

Com o local pronto para construção, seu Domingos fez contato com o Senhor Atílio Muraro, que já tinha certa pratica em construir igrejas. Com a ajuda de mais pessoas da comunidade, Domingos conseguiu cumprir sua promessa, ficando concluída a obra no final do ano de 1921.

Não existe nenhum documento ou ata que nos de exatamente as datas certas das ocorrências. Aos longos anos, somente estes fatos que foram passando de pais para filhos.

Por muitos anos ficou conhecida como Capela de Santo Antonin, talvez devido ao tamanho tanto da capela quanto da imagem de Santo Antonio que é pequena. Com o passar do tempo se estende para Oratório de Santo Antonin até os dias de hoje.

Este oratório passou por várias restaurações, porém seFmpre foram mantidas as características originais.

Maria Zandonai se transformou em uma bela mulher casou-se com Jacomo Galiani, teve quatro filhas, ficou viúva e viveu até o ano de 1985, na localidade vizinha de Mato Queimado.

A comunidade que havia começado com cinco famílias, foi aumentada. Algumas famílias se mudaram para municípios vizinhos, para região de Blumenau ou mesmo para outros estados.

Migraram para cá muitas famílias de outros municípios e estados, formando hoje em dia uma comunidade com várias etnias, pensamentos e costumes. A Agricultura que era única fonte de sobrevivência no inicio, deu lugar a novas tecnologias. O numero de famílias aproximado é de 350”.

Reprodução: Cindy Ane Maffezoli

Choupana dos Tiroleses

Imigrantes

Choupana dos Colonos Tiroleses – Ano 1875 – Nova Trento – Santa Catarina – Brasil

Foto tirada nos primórdios da colonização de Nova Trento, mostra os primeiros colonos da cidade desbravando o mato. Encontrando-se em meio à floresta virgem, os imigrantes derrubaram o mato e inicialmente construíram choupanas simples para servir de habitação, até que pudessem construir casas de  tábuas de madeira.
Importante ressaltar que naquele tempo os imigrantes não eram chamados de “trentinos”, mas sim de “tiroleses”; isso porque a região trentina, apesar de ser de língua italiana, pertenceu ao Tirol e ao Império Austríaco de 1258 a 1918. Esse é o motivo pelo qual os documentos históricos registram nossos antepassados trentinos como “naturais da Áustria”.

Em 1918, o Reino Italiano, contra a vontade da maioria da população local, anexou o sul do Tirol após a Primeira Guerra Mundial. As palavras “Tirol” e “tirolês” foram então proibidas pelo governo italiano, buscando apagar o antigo pertencimento ao Império Austríaco. No Brasil, no entanto, a palavra continuou sendo utilizada cotidianamente até o Centenário da imigração em 1975, quando a palavra “trentino” foi introduzida no Brasil após as visitas de comitivas da atual Província de Trento em comemoração ao Centenário; assim, os nomes “Tirol” e “tirolês” acabaram sendo parcialmente substituídos. Apesar disso, os nomes sobreviveram em lugares como o bairro Tirol, em Nova Trento; como a Colônia Tirolesa de Piracicaba (SP), a colônia Santa Maria do Novo Tirol em Piraquara (PR) e a Estrada dos Tiroleses, que leva à colônia trentina de Rio dos Cedros. Sobreviveu também na memória dos mais velhos, que até hoje ao se referirem aos seus antepassados dizem que eram “tirolesi” ou “italianos do Tirol”.

No canto inferior do blog pode ser encontrado um link para a “Apostila Trentina”, do Prof. Everton Altmayer (Circolo Trentino de São Paulo), que conta com mais detalhes a história centenária do Tirol, terra dos nossos antepassados trentinos.
Link para a apostila: http://www.ctsp.org.br/pdf/ApostilaTrentina.pdf

Colaboração: Banda Padre Sabbatini e Misael Dalbosco.